Bienal traz obras que, ao discutirem inteligência artificial, polemizam e tiram o homem de seu pedestal histórico. Agora, ele é coadjuvante.
Neste ano, a quinta edição da Bienal de Arte de Arte e Tecnologia do Itaú Cultural polemiza a autonomia cibernética: obras que, seja pela interface, seja pela função, percebem que suas ações têm consequências e, exatamente por isso, podem valorá-las.
Neurônios de rato produzidos em laboratório, por exemplo, sentem os visitantes por meio de sensores e controlam, lá dos Estados Unidos, braços de instalados na Avenida Paulista.
Aqui, a chamada inteligência artificial pode discernir. E a robótica é dotada de “personalidade”. A Bienal está em cartaz até 5 de setembro de 2010, na sede do Itaú Cultural em São Paulo. Confira mais instalações abaixo:
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Robotarium SP Leonel Moura (Portugal, 2010) Instalado no Jardim Central de Alverca, em Vila Franca de Xira, Portugal, o Robotarium é o primeiro zoológico de robôs do mundo. Com base nas criaturas portuguesas, cinco pequenos robôs –distintos em sua morfologia e em seu comportamento. |
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MetaCampo SCIArts (Brasil, 2010) Informações sobre a direção do vento, capturada por uma biruta fixada na parte externa do prédio do Itaú Cultural, são enviadas a um computador que, por sua vez, controla um ventilador disposto sobre uma plantação artificial – um plano formado por hastes flexíveis, semelhante a um campo de trigo, presente no espaço expositivo. |
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Ballet Digitallique Lali Krotoszynski (Brasil, 2010) Nesta instalação, a silhueta dos espectadores é capturada por uma câmera e, em seguida, transformada e projetada sobre uma parede. O decalque da sombra se movimenta pelo espaço virtual segundo inform ações físicas e visuais decodificadas por um programa de computador, o qual aciona parâmetros relativos ao Sistema Laban, voltado à análise do movimento humano. |
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Caracolomobile Tania Fraga (Brasil, 2010) Um organismo artificial, semelhante a um caracol, tem a capacidade de reconhecer diferentes estados emocionais humanos, respondendo a eles de modo expressivo por meio de sons e movimentos. A obra é inspirada na computação afetiva, campo de pesquisa cujo foco é a interação “psíquica” entre humanos e sistemas artificiais. |
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Projeto Amoreiras Grupo Poéticas Digitais (Brasil, 2010) Cinco amoreiras reais, dispostas em frente à sede do Itaú Cultural, “aprendem” – por meio de um dispositivo de medição de poluição sonora – a vibrar ao captar um ruído. O projeto tem o objetivo de, com isso, aumentar as chances de sobrevivência das árvores, agora capazes de produzir alertas em possíveis situações de risco. |
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Evolved Virtual Creatures Karl Sims (Estados Unidos, 1994) O vídeo é resultado de uma pesquisa que simulou a evolução darwiniana por meio de centenas de criaturas virtuais – que “vivem” dentro de um CM-5, supercomputador elaborado na década de 1980 pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). No processo da experiência, cada uma dessas criaturas realmente evoluiu, aprendendo a executar determinadas tarefas – como nadar em um ambiente aquático simulado. |
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Prosthetic Head Stelarc (Austrália, 2003) Uma projeção em larga escala da cabeça do artista conversa, em inglês, com o público. O software que controla o diálogo é baseado no mecanismo de A.L.I.C.E. (Artificial Linguistic Internet Computer Entity), famoso robô conversador conhecido também por Alicebot, ou simplesmente Alice. O objetivo da obra é demonstrar que, com o advento de novas tecnologias, a diferença entre humanos e máquinas não é mais um problema de identidade, mas de interface. |
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Hysterical Machines Bill Vorn (Canadá, 2006) Cinco robôs artrópodes movimentam-se de forma orgânica mas brusca: um comportamento inesperado, já que é realizado por máquinas que, supostamente, deveriam ser apenas funcionais. O objetivo da obra é induzir a empatia do espectador a entidades robóticas, que de fato são mais do que um punhado de estruturas metálicas. |
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SymbioticA (Austrália – Estados Unidos, 2008-2009) Robôs movem-se verticalmente ao longo de várias colunas, deixando rastros que são, na verdade, a representação dos disparos de neurônios de roedores cultivados num recipiente de vidro localizado a milhares de quilômetros de distância. Paralelamente, sensores ao largo da instalação capturam os movimentos do público, que, por sua vez, também fazem os robôs se deslocarem. |
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Autoportrait Robotlab (Alemanha, 2002) Munido de uma caneta, um robô traça retratos de humanos e, em seguida, destrói as imagens – ato que questiona, entre outras coisas, a universalidade da autoria e o antropocentrismo do fazer artístico. |
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