A gente começou tendo a música eletrônica como base. Mas não havia ainda uma diferença clara entre a linguagem e seu referente cultural, entre o que era código e o que era estética. Afinal, o que torna a música, eletrônica? O fato de ser reproduzida por equipamentos cujo código binário é o meio pelo qual ela se reverbera?

Já se definiu música eletrônica, a grosso modo, como sendo sons, ruídos harmonizados estritamente produzidos por equipamentos eletrônicos – “A Arte do Ruído” aqui, de Luigi Russolo, encontra sua manifestação absoluta. No entanto, afora o “tecnicismo”, não só há uma cultura produzida ao redor da música que suplanta definições mais estreitas, mas uma instituição especificamente eletrônica, proveniente da sua linguagem.

Na cultura eletrônica como estética, que concerne a sua faceta, não só de entretenimento, mas de produções acadêmicas, laboratórios de música eletroacústica espalhados pelo Brasil e do mundo, fundações e organizações que visam difundir a produção eletrônica e seus lançamentos – seja de uma esfera comercial ou mais alternativa – o SynthOrchestra abarca, em sua seção de entrevistas, resenhas, e até de projetos fotográficos como o NightHawk, uma cultura específica.

Nela, pioneiros como John Cage, Stockhausen, Pierre Henry, que fundaram as bases para percepção de outros mundos sonoros, também os que levaram a música eletrônica às pistas, através da popularização do sintetizador Moog, por exemplo, com Donna Summer Giorgio Moroder; os que reinventaram a música dançante: o surgimento do house, com o Warehouse de Chicago, o Garage, em Nova York, o Techno, com o Belleville Three, em Detroit, culturas específicas como o Psy Trance, o Big Beat, o Drun’n'bass, o Electro, o Trip Hop e tantos subgêneros que daí surgiram, estão representados.

Mas o SynthOrchestra também é um site sobre linguagem eletrônica – seja ela música, cinema, códigos estranhos, visual arts, performance, … – que nasce depois dos conceitos de mídia social e web 2.0. Um site interessado em explorar e testar todas as possibilidades, sem pudor para usar as mais variadas plataformas na constante busca para encontrar o melhor meio para cada mensagem. Por exemplo, o nosso podcast.

A gente acredita que um podcast tem que ser informal,com informação relevante, sucinto e com música que valha a pena ser comentada. Mas como unir tudo isso? Por isso que o _synthpodcast pode ser acompanhado em 3 versões: Ao vivo via streaming enquanto é gravado, na versão curta e editada com tudo o que você precisa saber, e no mix só com as músicas na íntegra.

Assim, você pode ouvir nossos mix no 8 tracks, nos seguir no Twitter do synthorchestra – com com notícias e informações – e também no synthorchestralive, que traz em tempo real o que a gente está ouvindo e pegar nossos bookmarks no d.e.l.i.c.i.o.u.s, por exemplo. O site também está presente no tumblr, lastfm, vimeo, memme yahoo, hype machine, posterous, flickr, myspace, resident advisor, picture trail, photobucket e youtube.

Mesmo fazendo da linguagem eletrônica nosso escopo, trata-se de um recorte somente, o SynthOrchestra não privilegia culturas, tampouco cenas; e, levaremos até o limite dos nossos recursos, questionaremos até onde for possível nossos próprios filtros para que nenhuma cultura seja privilegiada em detrimento de outra -mesmo que algumas sejam, porventura, não numerosas.

Toda linguagem é dinâmica e só encerra sentido se entendida por seus próprios agentes, se seus subgêneros forem compreendidos também dentro do próprio mainstream que o criaram. Que o código eletrônico, que já está sendo orquestrado por todos, seja também compreendido em sua totalidade, no dinamismo de suas interações simbólicas e que, claro, seja compartilhado por todos sem mediações.

Sharing is creating,

Equipe do Synthorchestra

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