Coletivo de cultura digital. Entrevistas, notícias e mobilizações

A democracia lisérgica

Como o grupo alemão “Los SuperDemokraticos”, que tem como sigla o LSD, está propondo um novo conceito de democracia baseado na geração 2.0 e em experiências com o uso de ácido. Sim, o psicotrópico.

Marcos B. Oliveira, aka discognate
Colaboração para o synthorchestra.org de Berlim

créditos: epidemedia.com

Patrocinado pela Ministério do Interior da Alemanha , o coletivo LSD, sigla pra Los SuperDemokraticos, é um grupo político alemão que pretende esclarecer as consequencias do mundo superglobalizado. Nela teríamos o advento de um pós-individualismo, em que devaneios individuais viram reflexões coletivas quando jogados no ciberspaço.

Aliado a essa tentativa de reunificação ideológica, o grupo propõe que a digitização da cultura tem efeitos semelhantes ao da experiência psicodélica:

“Somos parte do movimento que defende a mudança positiva da sociedade por efeito da expansão do consciente provocada pelo uso do LSD” declara Nikola, respaldada pela contracultura dos anos 60 e os testes da Cia com psicoativos na Guerra Fria. Sim. Tudo muito óbvio e desgastado ao primeiro aspecto. A declaração, no entanto, implica um esforço mais analítico que radical.

Zerando espaço e tempo

Assim como a experiência com o LSD, essas manifestações virtuais tem como pano de fundo a perda da noção espaço-temporal. Essa premissa, o Cronotopo Cero, é o que faz o diálogo horizontal possível, uma vez que o mundo online nos coloca em uma zona livre de fronteiras, horários e outras fatalidades. Portanto, assim como a droga, a nossa convivência virtual tende a anular percepções de hora e de lugar e de diferenças – formando, assim, uma superdemocracia.

Cada internauta tem um potencial revolucionário. O que vale é a opinião livre de territórios e efemeridades. Aqui, persuadir, ouvir, aderir e compartilhar fazem parte da negociação superdemocrática; a que vem exaltar a utopia subjetiva de cada um de nós, cidadãos digitais.

O coletivo é um embrião. Aberto a outras iniciativas, é um lugar em boas ideias são acolhidas e ganham força. É uma troca intelectual de escritores e artistas a fim de debater as consequências do mundo superglobalizado. As manifestações individuais virtuais compensariam, assim, o enfraquecimento das utopias coletivas – afinal, onde estão Karl Marx, Engels, Sartre, Marcuse?

“Tudo o que acreditamos tem como propósito a emancipação do amor, a desnacionalização do indivíduo e a aplicação de decisões populares globais” explicam Rery Maldonado e Nikola Richter,  criadores do projeto, que também dividiam o mesmo microfone no festival 48 Hours Neukölln em Berlim.

Práxis

- Acontecimento é documentado por todos e a toda hora, fato é multilinear, a importância da classificação cronológica perde o sentido;

- O interesse por diretivas passa a ser transnacional. A unificação gradual de tecnologia, moeda, costumes dá a forma a um sintetismo portátil, um mundo insituável.

LSD é um partido literário, um website, um livro publicado, uma galeria de ilustrações, uma performance musical, uma palestra, um grito de guerra. LSD é uma substancia que potencializa o intelecto: www.superdemokraticos.com.

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