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São as gravadoras que nos enviam as músicas, diz “cabeça” do Nodata

Principal membro do blog que mais vaza álbuns na rede destila todo o seu veneno contra o modus operandi da indústria dos direitos autorais

Monique Oliveira
synthochestra.org

Dentre poups, os famosos segundos de espera, e aquele CAPTCHA que, de tanto tentar provar sua “humanidade”, te transforma num autômato, os provedores de hospedagem online, no estilo do alemão rapidshare, tomaram a dianteira e dinamizaram o compartilhamento de álbuns na rede. Não rastreiam IP, deixam anônimos seus uploaders -e, vá lá, são até que rápidos.

Hoje, um site como o Megaupload permite a seus associados com registro gratuito baixarem 20GB -isso se, obviamente, o usuário ainda não tiver dado um jeitinho de conseguir mais- e 200GB de armazenamento. A convergência desses servidores e o crescimento do número de blogs – em 2008, segundo o site technorati, a web registrava 112 milhões de blogs- fizeram o prenúncio do que seria o nodata.

Não só pelo número de uploads diários, mas o fomento do alternativo, fizeram do blog o predileto de mp3hunters. Não raro, se um álbum “vazou”, é no nodata.tv que ele se encontra. Em entrevista ao synthorchestra, Nelson, e um dos 5 membros do blog, revela como encontra o material, fala das notificações oficiais que já recebeu e aponta para um futuro em que o dinheiro não está descartado.

synthorchestra: Oi Nelson. É esse o seu nome?
Sim

Quem é você? O que você faz? Quantos “nodatas” existem?
Sou estudante. Pelo que eu sei, há dois “nodatas”: um que alguém roubou de nós e o oficial, que hoje usa o domínio “.tv”

Você tem 1.500 fãs no facebook, 5 mil followers no twitter. Qual o tamanho do nodata? Qual o número de pageviews do site? Há dinheiro envolvido, pelo menos, para a sua manutenção?
O staff não é grande. Temos por volta de 6 membros. A média de pageviews por mês está em 550 mil depois do domínio “.tv”. O dinheiro conseguido com os cliques e os downloads são totalmente reinvestidos no site. Nenhum de seus colaboradores ganha um centavo.

Nodata faz upload de álbuns inteiros mesmo antes do lançamento. Também há grande diversidade de estilos: rock, eletrônico, folk. Como consegue esse material tão rapidamente?
Não é tão difícil quanto parece. Em alguns casos, postamos arquivos que mandam pra gente. E quem fornece, na maioria das vezes, são as pessoas envolvidas no negócio: selos, staff das bandas, empresários. O que não vem daí, vem do torrent.

Um grande problema também são os servidores. Se não cobram, há um custo. Como lidam com esses problemas? Quais são os melhores servidores?
Nós geralmente testamos muitas opções antes de fazer o upload. Os critérios são básicos: o mais rápido, o mais fácil. O melhor dos melhores é o Rapidshare. No entanto, evitamos ao máximo porque eles apagam os arquivos muito rapidamente. Do nosso ponto de vista, o usuário tem a última palavra.

Por que não usar o torrent?
Claro que o formato de torrent é a melhor opção mas envolve rastreamento de IP, o que é muito arriscado para nós.

Quando dizem “for the major labels, it´s over”, acredita que a música deveria ser inteiramente grátis?
A frase a que se refere é uma quote, não a escrevemos. Acreditamos que as gravadoras tem que existir, mas não podemos ignorar o fato de que a maioria delas explora artistas e rouba usuários finais. O modelo comercial tradicionalmente implantado é tão obsoleto que mesmo algumas gravadoras estão mudando as regras. Não deve haver intermediários entre o artista e o consumidor final.

O que acha de novas iniciatas como a de Peter Sunde, do Pirate Bay, que recentemente lançou o “Flattr”, baseado em pequenos pagamentos. Tentaria algo similar?
É bom que haja novas plataformas, mas é muito mais complexo que isso. Tudo implica vantagens e desvantagens. Por enquanto, não estamos interessados nisso. Mas, em algum ponto, o projeto deve evoluir. Queremos construir um site em que bandas podem mostrar o seu trabalho e que artistas, sim, possam ter lucro.

O blog foi bloqueado algumas vezes e, numa delas, vocês mudaram a url. Receberam alguma notificação oficial? Temem retaliações parecidas às que recaíram sobre o Napster, Rapidshare e o Pirate Bay?
Nós somente fomos notificados por serviços “free”, como o Blogger, e alguns servidores de hospedagem. Algumas vezes recebemos comunidados do Wb-Sheriff, que é uma agência amiga de grandes selos.

Mesmo que agindo com poucos membros e parcos recursos, pode-se dizer que o Nodata é porta-voz de causas recorrentes -a internet livre, o monopólio das gravadoras, o direito individual de compartilhar arquivos, etc- que vira-e-mexe volta ao epicentro de discussões. Há algum tipo de ideologia por trás do que faz e apoia? Acredita que faz a diferença?
Nós queremos ser uma contrapartida, uma alternativa para manter um equilíbrio, oferecer algum tipo de igualdade, permitir as mesmas oportunidades e espaços entre pequenas e grandes bandas. Apenas isso. Não clamamos nenhum tipo de ideologia ou grito.

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  • Nodataer

    Woohoo