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Loco Dice flerta até com rumba

De ecos ao groove novaiorquino, Dice e sua linha de baixo

Loco Dice, ou Dice Corleone, veio da Túnisia e acabou fazendo seu passo na Alemanha como muitos. Seja no minimalismo, seja apostando no groove, passou pelo hip hop, colaborou com caras como Jamiroquai e Ice Cube e fundou o selo Desolat junto com Martin Buttrich. Agora, morando em Nova York e flertando com o house, Dice virou mecenas.

Nesse ano, veio com o “Loco Dice labs”, coletânea com dois cds e 26 faixas, e trouxe remixes que revelou nomes como o argentino Guti, com “Salsón”. De 2006, quando estourou o hit “Rain Drops On My Window”, que saiu pelo Cadenza e era, contraditoriamente, uma bomba-minimalista até o Labs -com Mathias Kaden remixado com rumba em “Below the Radar”- Loco Dice mostra sua faceta flexível e sensitiva.

synthorchestra: No seu MySpace, você mencionou a habilidade de conhecer as pessoas, “o que elas sentem, o que imaginam”. Qual o seu sentimento sobre a América do Sul?
Loco Dice:
“Eu sempre me aprofundo na situação. Sou como um médico. Você não pode tocar as mesmas músicas na América do Sul e no Japão. A experimentação ao longo dos anos traz essa habilidade de entender que no Brasil as mulheres amam dançar e o público interage melhor com tracks funky, mais dance e com mais vocais. Já em Tóquio, o público gosta mais de sons dark, pesados. Enfim, as pessoas sempre estão esperando por algo a mais e o meu trabalho é traduzir isso nas minhas apresentações.”

synthorchestra: Você é da Tunísia, foi parar em Düsseldorf (Alemanha) e flertou com o hip-hop, mas acabou no tecno e no house. Como classificaria o estilo loco-dice?
Loco Dice:
“Sou o mesmo de sempre. Mas, claro, tudo depende do público para o qual eu toco.”

synthorchestra: Este ano foi lançado o “Loco Dice Labs”, com faixas de novatos como o Guti. Você apontaria algumas promessas de produtores?
Loco Dice:
“Você acabou de falar o nome! Um deles é o Guti, que é um artista muito talentoso, e o outro é o Livio & Roby.”

synthorchestra: Qual o critério do seu selo, Desolat, para escolher artistas?
Loco Dice:
“O Desolat é uma grande família. E o convite acontece naturalmente. Por exemplo: gostei muito de uma faixa do Guti e fui me aprofundar em suas produções. Me deparei, então, com mais sete faixas excepcionais. É uma reação química!”

synthorchestra: Como classificaria a faixa perfeita? E o que você pensa sobre a classificação de gêneros (minimal, microhouse etc). Isso faz sentido pra você, como produtor?
Loco Dice:
“Não há uma faixa perfeita. Depende muito do referencial. Eu poderia dizer que uma boa faixa contém elementos para agradar diferentes pessoas, etnias e, quando você toca, todos entendem e dançam. Todos os seres têm diferentes percepções e o desafio é encontrar a interligação entre eles por meio da música. As subdivisões em gêneros facilitam para as pessoas que não são iniciadas, mas, ao mesmo tempo, está cada vez mais difícil classificar… Você entra em sites de venda e uma faixa pode estar classificada como tecno em uma determinada loja e como house em outra.”

synthorchestra: O que te inspira? O que tem ouvido ultimamente?

Loco Dice: “A minha vida é a inspiração. Tenho escutado muito jazz quando vou jantar, tomando um vinho ou até mesmo quando vou dormir. Procuro escutar músicas de diferentes nacionalidades.”